Sempre defendi que a saúde mental não é uma questão referente à “clínica do que está de errado com um (qualquer) paciente”, mas sim uma questão de humanismo que deve zelar belo bem-estar do indivíduo através da ajuda na consciencialização do contexto de vida de cada um, para que a pessoa cresça com a maior capacidade possível de viver de acordo com os seus desejos nas circunstâncias que a rodeiam – o sofrimento deve ser compreendido, não curado. A compreensão permite a construção de novas soluções, o cura da mente foca-se no retrocesso.

 

A contemporaneidade, em particular a Portuguesa, tem estado profundamente condicionada pelas consequências da ‘crise financeira’ que tem levado o governo a repensar a forma como gere a carteira pública e a do público. Esta gestão tem dado azo a muitas sátiras sobre, entre vários dilemas, a utilização de estratégias baseadas em tabelas de Excel, para que a estatística faça a sua magia. Pessoalmente acho útil a utilização da matemática, mas apenas para aquilo que ela serve (como a utilização do que quer que seja – uma casa não se constrói só com pregos). A estatística é uma ciência que, tendo como principal propósito a explicação da ocorrência de determinados eventos, parece-me desempenhar uma função principalmente descritiva que quantifica acontecimentos que ocorreram até à data em que é aplicada, o que exclui inevitavelmente as vicissitudes do contexto na origem do acontecimento. Este contexto, que embora organizado de diferentes formas, está presente em todas as esferas da vida (financeiro, político, social, desportivo, etc.) e tem um elemento transversal – as pessoas e as suas circunstâncias humanas. As pessoas medem-se com números, mas não se descrevem com contas. Quando o ser humano não é considerado na estruturação da sociedade, os indivíduos sofrem dessa alienação – a sociedade adoece…

 

Para estimular o pensamento sobre o tema, partilho uma curta-metragem que me pareceu bastante ilustrativa da forma como, em demasiados casos, o ser humano é tratado como mercadoria no próprio trabalho para o qual contribui…