Como ser pai à distância?

Colaboração científica com a publicação Notícias Magazine

O conceito de família tem várias configurações e é comum casais passarem por fases que levam a uma separação geográfica prolongada.

É um desafio na relação, mas se há alguns anos existia uma limitação de meios que permitissem manter o contato, atualmente a tecnologia ameniza o problema e permite manter contato com quem está fisicamente distante, mas disponíveis emocionalmente. É um começo que ajuda a relação do casal e também entre pais e filhos.

Ser pai à distância é frustrante para ambas as partes, mas com criatividade e vontade é possível rentabilizar as ferramentas de comunicação à distância, principalmente a videoconferência.

Há que considerar dois fatores que condicionam a relação entre os pais e filhos neste molde: a idade da criança, pela segurança da identidade de um menor, e a forma de tecnologia mais adequada, porque cada idade tem necessidades de interação diferentes.

O desafio maior é naturalmente com bebés. A capacidade de interação é limitada e estão dependentes da colaboração total do progenitor que ficou com a criança a cuidado. Ainda assim, é possível manter algum contato através da videoconferência. Os bebés até aos dois anos reconhecem a voz dos pais e progressivamente conseguem acompanhar a imagem no ecrã, o que permite alguma interação. Não se consegue tocar no bebé, mas consegue-se estar com a mesma atitude que se teria pessoalmente. No momento em que o casal esteja a conversar, também o poderá fazer na presença do bebé, até que ele esteja numa idade em que não convenha presenciar conversas com determinadas naturezas.

As crianças até ao início da adolescência conseguem interagir com mais dinâmica. Além de se poder conversar com a criança, é possível brincar com a criança de várias formas. Podem fazer-se desenhos, montagens, modelagens, etc., enquanto a criança observa. Também é possível jogar jogos de tabuleiro em família, com um dos pais a gerir o tabuleiro de um dos lados do ecrã. Em último caso, pode comprar-se um jogo para cada lado! Algumas crianças têm pouca paciência para passar muito tempo em frente ao ecrã. Nestes casos, é possível os pais gravarem alguns vídeos e disponibilizarem numa conta privada para a família. As crianças geralmente acham piada a ver os pais a fazer palhaçadas! É questão de libertar a sua veia artística e divertir-se a gravar histórias, pequenos teatros, pequenos trabalhos manuais em que “oferece” o resultado em vídeo à criança. A criatividade é o limite, se estiver com a inspiração enferrujada, a internet está recheada de sites com dicas de trabalhos manuais.

Quando a criança estiver mais crescida, além da brincadeira, os filhos tendem a querer conversar mais sobre assuntos que lhes são relevantes e é importante demonstrar interesse em ouvi-los e estimular o diálogo. Por fim, também pode ajudar nos trabalhos de escola!

Desde que os filhos sintam iniciativa por parte dos pais também desenvolvem a vontade de ter ideias e alimentar a dinâmica que os pais iniciaram.

O desafio da distância, por ser uma situação desconfortável, pode provocar a sensação de que não há forma de a contornar, mas com criatividade é possível encontrar estratégias para a minimizar. Haja vontade!

2018-05-22T20:42:02+00:00