/1/ Não é apenas uma episódio médico pontual que causa desconforto sem efeitos secundários de maior, como faltar uma manhã ao trabalho.

/2/ É uma condição que interfere em várias áreas da vida da pessoa não só pelos sintomas físicos isolados, mas também pelas repercussões (a) emocionais, (b) funcionais e (c) sociais que acarreta (esta não é uma divisão estanque, apenas a faço por uma questão de comodidade para falar sobre o tema). Por ser um tema que afecta a intimidade emocional e física, e por ter uma ligação à sexualidade da pessoa facilmente se torna um tabu. Curiosamente, as primeiras vergonhas que o ser humano sente é o descontrolo dos esfíncteres, nomeadamente da uretra porque é normal acontecerem em idades em que a criança já tem consciência do que acontece, e é habitual ser repreendida por fazer uma coisa “inadequada”.
Portanto, além da ajuda médica, a intervenção passa não tanto pelo que fazer, mas no que compreender.

(A) – O principal impacto nas emoções da mulher passa pela forma como ela se vê enquanto mulher. Um aspecto transversal aos homens e às mulheres é o facto dos genitais serem vividos como um símbolo da sua identidade, e quando sofrem de alguma questão associada a estes tendem a sentir-se inseguros de uma forma totalitária. Em mulheres jovens é frequente surgir o medo de: 1- estarem a ficar como as mulheres mais velhas da família (que muitas vezes já transmitem uma mensagem assustadora sobre o tema), pese embora a IU seja uma condição frequente em pessoas jovens ; 2 – serem rejeitadas pelos cônjuges, quer pela IU, quer pelo afastamento sexual que possa ocorrer devido ao medo de perder urina no acto, situação que pode ser contornada quer pela abertura para falar sobre o tema, quer embora durante o sexo possam ocorrer normalmente pequenas perdas de urina sem o casal se aperceber. 3 – em pessoas de idade mais madura pode despertar conflitos emocionais relativamente a questões associadas a este aspecto: estarei a ficar velha?, como irão ser as coisas daqui para a frente?, estarei agora limitada a uma doença? 4 – também é uma situação particularmente ingrata porque ameaça reacções espontâneas como o rir, tossir, dançar… sair de casa.

(B) – A nível funcional são principalmente afectadas rotinas e roteiros que são ameaçados pelo medo do descontrolo. Existe uma carga muito grande de sofrimento por antecipação. Também se o medo de sair de casa se torna demasiado intenso pode causar uma desorganização penosa na vida da mulher. O vestuário também se torna alvo de preocupação, porque existe o medo de perder urina caso se use roupa justa – a imagem corporal, estética também é posta em causa, o que deve ser mais grave do que para os senhores!

(C) O medo de interacção por receio do descontrolo ou do odor pode ser mais um factor a impelir a pessoa para o retraimento ou isolamento social, o que pode condicionar as relações de amizade, aumentar o stresse no trabalho.

/3/ A forma como a pessoa avalia a situação também é um elemento de peso no sofrimento que dela advém, e depende da personalidade da pessoa e das ideias pré-concebidas seja por ideias própria ou influenciadas por outras pessoas.

“” Mais do que uma questão do corpo, é um desafio à condição da mulher. ””

2017-05-13T20:41:54+00:00