De todas as épocas festivas, o Natal aparenta ser a que desperta reacções mais díspares entre as pessoas: ou se ama, ou se odeia. Ambas as tarefas são relativamente fáceis de praticar porque os motivos para fazê-lo estão presentes na vida de todos, apenas podem ser olhados de perspectivas dissemelhantes .

A justificação de cada ponto de vista é assente na análise dos valores representados pela quadra. Num dos ângulos do ringue estão os defensores da celebração do presépio, não o que está debaixo da árvore, mas aquele que é a família; no ângulo oposto estão os argumentos de que o Natal é apenas uma época para praticar afincadamente o “pecado” do consumismo.

Ambos os olhares são legítimos, mas se de um lado é previligiada a celebração das relações que têm valor, do outro é fixada a atenção na mecanicidade de algumas afinidades, que serão as relações ocas de afecto, enchidas de materialismo. São as escolhas do que se pretende valorizar que condicionam a capaciade de “tirar o melhor da situação”.

Por outras palavras, será a questão do “copo meio cheio, ou copo meio vazio?!”: despreza-se toda a água porque ainda falta metade, ou aproveita-se a metade que lá está?

Aceitar o percurso de vida não implica concordar, mas compreender que a vida pode ser construída em sentidos diferentes e novos valores. Quando se ocupa o tempo a pensar no que não se tem, ou no que se perdeu, a hipótese de aproveitar aquilo que se tem esvanece.