Desde a divulgação do vídeo de um grupos de jovens a fazer bullying a um colega de escola, agredindo com um chorrilho de palmadas que se tem observado um estado de choque geral no público.

De facto é chocante o que aconteceu, mas também o é perceber que uma parte da sensação de choque vem do facto da falta de percepção da violência que existe entre os jovens.

Já ouvi várias pessoas comentar que no tempo delas isto não existia. É falso. Talvez não acontecesse nas escolas que frequentaram, mas já existia e talvez pior em alguns casos. E menos violento não tem sido a pseudo-justiça que se tem feito nas redes sociais divulgando a identidade dos agressores, por parte de pessoas que aproveitam um falso moralista para agirem de forma semelhante aos agressores que criticam.

O que leva os jovens a ter estes comportamentos? A principal razão é simples: a agressividade está na natureza humana, desde o nascimento.

A agressividade está presente em todas as pessoas, desde pequenas, mesmo quando o tentam disfarçar espantando-se quando reconhecem o sentimento em acções de outros! No entanto, ter sentimentos agressivos não implica que a pessoa tenha uma natureza violenta e que seja uma pessoa má, embora algumas pessoas possam ter mais propensão que outras para se tornarem agressivas face a situações frustrantes.

Todos os pais viram  e sentiram os seus bebés amorosos começarem a desafiar, puxar cabelos, fazer birras. É uma versão infantil da agressividade: os bebés também dirigem raiva contra os adultos (contra os pais, principalmente!). Conhece o bebé Stewie da série Family Guy?

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Este é um exemplo caricaturado, mas representa a essência da questão. E também enquanto pai ou mãe certamente já teve momentos em que lhe apeteceu aplicar castigos medievais aos seus filhos! É normal, desde se tenha ficado pelos pensamentos!

O impulso agressivo é natural, está na base de comportamentos defensivos como dizer um simples “não”, ou defender-se de uma situação perigosa. A violência gratuita é que não deve ser aceitável por parte da sociedade. E é dever dos adultos educar os jovens face à contenção e redireccionamento da sua agressividade!  (distinga-se de castrar!)

Há vários factores que influenciam a forma como uma pessoa integra o impulso agressivo na vida, se o faz de forma construtiva, no sentido de se afirmar e de se proteger, ou de forma destrutiva,  para agredir.

São as experiências de vida e a forma como a pessoa as integra que determinam o amadurecimento da forma como a pessoa gere agressividade. Por vezes os jovens desenvolvem uma atitude delinquente enquanto reacção a um contexto familiar ou social que pode ser violento. Também pode acontecer e famílias de pessoas que, sendo demasiado tolerantes com os jovens não lhes impõem limites e criam uma criança “terrorista” que faz tudo o que quer.

É importante que os adultos aceitem as tentativas de afirmação dos jovens, mas que os ensinem a fazê-lo com meios civilizados e que não passem pela agressão. Caso contrário está-se a dar espaço para que se desenvolva um adulto que o faça de formas menos adequadas.

É curioso como facilmente se reconhece que os adultos possam ter comportamentos violentos, mas quando é um jovem a fazê-lo vive-se um clima de espanto, como se pouca idade fosse sinal de santidade! Não há nenhum adulto violento que não o tenha sido enquanto jovem!

Os jovem agridem-se principalmente porque têm sentimentos humanos, porque provavelmente não lhes são imputadas responsabilidades e provavelmente não estão sujeitos a supervisão adequada nas escolas.

Como prevenir estas situações? Ensinar os filhos a conversar e mostrar-lhes que não podem fazer tudo o que se quer. Permitir que nas escolas quem tenha autoridade sejam os professores e não os alunos. Criar meios legais para punir e responsabilizar actos criminosos, naturalmente adequando as medidas para menores. E, acima de tudo, cada pessoa assumir uma atitude madura e construtiva nas acções que comete.

Para finalizar, deixo uma recomendação de leitura:

 William Golding: O Senhor das Moscas