Como disse um psicanalista pioneiro, “a saúde mental revela-se pela capacidade de amar e trabalhar“!

De facto, nestes dois aspectos está assente o bem-estar de um adulto, podendo acrescentar-se apenas a nuance de que amar não se resume a uma vida conjugal, mas também o “amor pela vida” – os amigos, os hobbies, os filhos, etc.

A vida adulta está sujeita a diversas “fases” de mudanças e ajustamento, que põe a “teste” a personalidade de um indivíduo. Seja na forma como lida com as pessoas (amigos, familiares, cônjuges, etc.), seja na versatilidade com que enfrenta mudanças na vida, seja na forma como imagina o futuro, estes aspectos podem ser vividos com uma carga emocional por vezes difícil de ser sentida e pensada claramente.

A sensação de mal-estar pode ser vivida de diferentes formas. Por vezes passa pela percepção de que “sempre me senti mal com algumas coisas”, ou por “de algum tempo para trás apercebi-me de que algumas coisas me incomodam”, podendo haver várias motivações para procurar um trabalho de mudança – seja a força de vontade, seja pelo incentivo de algumas circunstâncias.

O trabalho terapêutico passa pela ajuda ao paciente em identificar as características de personalidade que, no confronto com o dia-dia, se revelam pouco satisfatórias para o equilíbrio interno do indivíduo, para que ao longo do tempo o paciente aumente o seu autoconhecimento e a sua capacidade em gerir e potenciar os vários aspectos da sua vida.

Embora a sofrimento do adulto tenha aspectos muito específicos para cada pessoa, existem alguns elementos que são mais transversais e podem ser indicadores de que “alguma coisa deve ser feita”:

  • Problemas em enfrentar o contexto de trabalho;
  • Dificuldade em fazer ou manter amizades e uma relação conjugal;
  • Inibição em falar de alguns sentimentos com o cônjuge e/ou filhos e/ou familiares;
  • Afectação da vida sexual;
  • Sentimento constante de tristeza e abatimento;
  • Sensação de que a vida “está a andar para trás”;
  • Ideia de que a resolução para os problemas passa pelo isolamento;
  • Dificuldade em ter prazer com os hobbies ou na relação com as pessoas;
  • Adoecimento frequente sem aparente causa física;
  • Sentimento de que se estão a viver situações más que mais ninguém vive;
  • Necessidade de sentir maior autonomia na vida;
  • Problemas Alimentares, jogo, álcool ou drogas ou outras dependências…