O perfecionismo é um ofício que está apenas ao alcance de quem veste o amor à camisola e se emprega de sol-a-sol na missão de construir uma vida sem falhas.

Há um ditado que nos diz que nada é perfeito, motivo razoável o suficiente para refletirmos sobre este assunto. ‘Perfeito’ deriva do latim perfectus’ que significa completamente feito, algo que idealmente não tem imperfeições nem falhas.

A perfeição é a fantasia de um patamar de vida que se fosse atingido permitiria estar-se livre da frustração de desejar: ter ou ser. Ter amigos perfeitos, um trabalho perfeito, o casamento perfeito e filhos perfeitos são os objetivos que se fossem cumpridos dariam corpo à extravagância de ser gostado por toda a gente.

Esta é uma busca ingrata porque procura uma impossibilidade, portanto, está condenada a repetir-se sem fim, numa redundância atormentada pelo constante sentimento de que nunca se é suficientemente bom para nada nem para ninguém.

O perfecionista é o seu próprio inimigo porque é dono de uma consciência tirana que não tolera a mínima falha, confundindo esta crueldade com responsabilidade, que é uma atitude saudável que aceita o erro como parte do processo de aprender e crescer. Vive tão dedicado a castigar-se que, sem se aperceber, também acredita que também “o mundo” o acha insuficiente.

Ainda assim, provavelmente não é uma crença totalmente errada. Talvez tenha vivido alguma fase da vida em que foi injustamente criticado ou simplesmente não foi valorizado como merecia e daí não tenha desenvolvido a capacidade de valorizar-se por quem se é.

A perfeição é nada mais do que um mito de quem está triste porque não se ama!