Recentemente cruzei-me na rua com um grupo de pessoas focadas nos seus smartphones, quando alguém comentou: «Epá, que seca.…», mas continuou o que estava a fazer.

Deixou-me a pensar na dependência em que muitas pessoas vivem dos mesmos estímulos durante grande parte da sua vida. Tiram o mesmo prazer, dos mesmos interesses desde a adolescência, da mesma maneira, nos mesmos lugares, com o mesmo tipo de pessoas. Estabelecem um estilo de vida pouco diversificado e caso tenham a sorte de não entrar numa rotina que os aborreça, pelo menos perdem a oportunidade de disfrutar a vida de uma forma mais completa.

Este registo é uma espécie de dependência em que se vive de uma forma estanque e inflexível. Quantas pessoas anseiam apenas pelos momentos da refeição, ou de um jogo de computador, ou de ir para um bar beber em excesso. A procura de prazer limitada a poucos estímulos torna-se prejudicial porque empobrece a vida, ao contrário do que seria suposto: enriquecê-la.

Este episódio, além de tédio, revela falta de consciência de alternativas. A riqueza da vida depende da criatividade com que se exploram os prazeres. Não há nada de errado em investir seriamente num passatempo, seja ele qual for, mas o segredo para não se aborrecer está na diversificação. Varie, tire prazer da vida de formas que o estimulem de maneiras inovadoras. Consumir é uma das formas, mas existem outras, como criar, explorar, estudar, desafiar-se…. Fazer nada também pode dar-lhe prazer, mas a curto prazo dará lugar a um grande tédio.

Lembre-se que ser feliz implica dinâmica e iniciativa. A vontade é o limite!